A falta de educação no trânsito não é
praticada somente pelos motoristas, mas também pelos motociclistas, ou melhor,
motoqueiros, ciclistas e pedestres.
Diariamente,
o que se vê pelas ruas são comportamentos e situações que não abrangem somente
o tráfego de veículos nas ruas, mas também aos veículos que estão parados. Em
Araruama para-se carro e moto em qualquer lugar. Bastou querer parar e pronto.
Parei e aqui vou ficar. E o pedestre, como fica? Andando no meio da rua, disputando vez com os
carros que estão em movimento.
Essa
situação não ocorre na área do Centro da cidade porque os guardas municipais
impedem, mas, afastou um pouquinho do miolo onde tem guarda municipal e pronto,
começam os abusos. Infelizmente no Brasil a educação para regras comuns tem que
ser imposta por meio de multas e, mesmo assim com muita dificuldade, porque tem
sempre um “esperto” tentando burlar as regras.
É
uma questão de comportamento e convivência que deveria ser ensinada em casa e
complementada na escola. Mas, o que esperar quando em frente à escola tem
carros parados sobre a calçada? Os carros que ficam parados nas redondezas de
uma escola levam a crer que pertencem aos funcionários dessa escola, e pior,
provavelmente aos professores. Que ensinamento está sendo dado aos alunos dessa
escola em termos de comportamento e convivência? Falo em convivência porque
quando uma pessoa ocupa a calçada de qualquer forma, impede o trânsito dos
pedestres que são obrigados a andar na rua. Essa pessoa não se preocupa com o
seu próximo, demonstrando extremo egoísmo. Aliás, muito estranho esse
comportamento em uma época em que se fala tanto de amor a Jesus. A atitude
egoísta é incoerente com os postulados cristãos. Mas o assunto aqui não é
religião.
Aliado
ao problema dos veículos estacionados nas calçadas está a ocupação delas pelo
comércio e oficinas. Calçada virou salão de bar e oficina de todo o tipo. É
borracheiro, bazar botequim, trailer, etc. Quando tem algum jogo de futebol,
então, fica impossível andar na calçada em locais próximos a bares.
Fiscalização não há. Acho que as autoridades acreditam que a população de
Araruama é educada. Aliás, se o povo fosse educado não precisaria mesmo fiscalização
porque não seriam cometidas infrações.
Da
parte dos pedestres também, já estão tão acostumados a não ter calçada para
andar que andam na rua mesmo onde elas existem. Sim, porque não é em todo lugar
que existe calçada utilizável. Não existe uma padronização. Muitas vezes, o
morador, acostumado com as enchentes, acaba construindo calçadas tão altas que
fica difícil a qualquer transeunte utilizar. Bom, pelo menos ninguém estaciona
nelas. Se é difícil para qualquer pessoa utilizar essas calçadas, imaginem para
o idoso ou o portador de deficiência física. E o que falar das pessoas que
ocupam as vagas destinadas a deficientes, sem ser portador de deficiência
alguma? Quer dizer, é portador de deficiência sim. É portador de DEFICIÊNCIA
MENTAL.
A
falta de respeito é geral, até dos ciclistas. Os ciclistas, por falta de
informação, acreditam que o jeito certo de conduzir suas bicicletas é pela
contramão. Errado por dois motivos: Pela lei de trânsito e pela lógica. Segundo
a lei a bicicleta deve ser conduzida no mesmo sentido do trânsito de
automóveis, próximo à guia (meio-fio). Isso nem os motoristas sabem apesar de
terem frequentado auto-escola. Segundo a lógica, se todos andarem no mesmo
sentido o tráfego de bicicletas será mais organizado e seguro. Seguro porque de
acordo com as leis da física, dois corpos em sentido contrário, ao se chocarem,
as velocidades se somam. Se você estiver conduzindo sua bicicletinha a 10 Km/h
e se chocar de frente com um automóvel a 40 Km/h você será jogado no parabrisas
do automóvel a 50 Km/h e se morrer será considerado suicídio e o motorista
inocentado. Ao passo que se você estiver andando no mesmo sentido que o carro e
ele colher você por trás, a roda da sua bicicleta irá empenar, travar e você
será jogado ao chão e não contra o parabrisas do carro. As chances de você
morrer serão reduzidas a quase 100%. Você irá se machucar com certeza, em
qualquer caso.
Outra
situação interessante é o horário de entrada e saída nas escolas. É um
“fuco-fuco”, uma confusão, fila dupla, desespero, correria, um Deus nos acuda,
coisa de louco. Os pais que chegam mais tarde não se conformam em parar seus
carros um pouco mais distantes e levar seu filhinho a pé no pequeno trecho que
resta. Tem que deixar o filho em frente ao portão de entrada. E para isso fazem
qualquer coisa. Se pudessem entrariam com o carro na escola e deixariam o aluno
dentro da sala de aula. E cuidado. Se você mora perto da escola em que seu
filho estuda e for a pé, considerando que as calçadas em geral são
intransitáveis, você e seu filho correm sério risco de serem atropelados pelo
pai ou mãe do coleguinha do seu filho, porque nessa hora eles ficam totalmente
cegos.
O
brasileiro continua se valendo da Lei de Gerson que, para quem não sabe o que
é, significa gostar de levar vantagem em tudo. Se a farinha é pouca, meu pirão
primeiro. A atitude de ocupar calçadas indevidamente e conduzir seu veículo,
seja ele de tração humana ou motorizado, de forma irresponsável, demonstra
falta de preocupação com o seu semelhante.
Fazemos
tanta campanha cobrando conduta das pessoas, principalmente em relação aos
políticos, que em geral são considerados corruptos, tanta campanha pregando
amor, falando de Jesus, mas os comportamentos acima descritos não nos
diferenciam dos políticos, diante da falta de preocupação com o próximo, bem
como é incompatível com a pregação religiosa do amor ao próximo que é um dos
mandamentos dos postulados cristãos.
Vamos
fazer uma campanha de melhoria comportamental, de forma geral, iniciando por
nós mesmos. Uma campanha de respeito ao ser humano a partir do cumprimento de
pequenas regras simples que muitas vezes descumprimos, sem perceber, porque
estamos muito preocupados com o que nos interessa. Desta forma, teremos
condições de fazer com que cheguem ao poder público pessoas melhores, mais
coerentes e preocupadas com o bem estar do cidadão, porque se não conseguimos
cumprir pequenas regras, como podemos exigir que se cumpram as grandes regras?
Efetuei uma correção ortográfica no texto no 7º parágrafo. ... e ele colher você por trás e não por traz. Traz é verbo (trazer). Desculpem, não havia percebido o erro.
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